Mal. Hermes Rodrigues da Fonseca
1910 - 1914

Juntamente com Hermes da Fonseca, nas eleições de 1o. de março de 1910, o Vice-presidente eleito foi Venceslau Brás. Funcionara bem o sistema das oligarquias estaduais conjuntamente com a pressão militar. Segundo relatos, era um homem bom, porém indeciso; o novo Presidente da República deixou-se influenciar pelos políticos que o cercaram. O barão do Rio Branco foi mantido no ministério do Exterior; para o ministério da Guerra foi convidado o general Dantas Barreto. A Pasta do Interior e Justiça foi ocupada pelo rio-grandense Rivadávia Correia, leal correligionário do influente político Pinheiro Machado. (Pinheiro Machado, consoante avaliação da historiografia, possuía um poder enorme, chegando-se a dizer que era ele quem governava o país durante esses anos.)

Política das Salvações - Apoiado no Rio Grande do Sul pelo governador Borges de Medeiros e prestigiado pela maioria dos governadores dos outros Estados, Pinheiro Machado foi o político de maior influência na primeira fase do governo de Hermes da Fonseca. Uma grande modificação política, porém, sacudiu o país. Muitas oligarquias estaduais foram substituídas, ocorrendo conflitos, principalmente na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. Surgiram assim as "salvações" e muitas, como por exemplo a de Dantas Barreto em Pernambuco, e de J. J. Seabra na Bahia, eram francamente hostis à dominância política de Pinheiro Machado. Com muita razão disse o historiador José Maria Bello que, "instalados nos governos que haviam conquistado pela violência, mas com o apoio das massas populares fatigadas do longo domínio das oligarquias, os 'novos salvadores' montaram as suas máquinas locais, ainda mais intransigentes do que as antigas".

Revolta da Chibata (1910) - Logo nas primeiras semanas do governo Hermes da Fonseca, os marinheiros dos maiores navios da esquadra amotinaram-se revoltados contra o regime de castigos corporais ainda vigente na Marinha. Ameaçando bombardear a cidade foram anistiados pelo governo, que, escarmentado, puniu, posteriormente, com excessiva severidade, os implicados em uma nova revolta surgida a 9 de dezembro entre os fuzileiros do quartel da Ilha das Cobras e a tripulação do "scout" Rio Grande do Sul.

A Revolta do Contestado - O governo Hermes da Fonseca teve de enfrentar um problema semelhante ao de Canudos. Nas regiões limítrofes do Paraná e Santa Catarina, o fanático João Maria, apelidado o Monge, instalara-se na região do Contestado, zona disputada pelos dois Estados. Em pouco tempo milhares de sertanejos sulinos congregaram-se em torno do Monge, repetindo-se o drama dos sertões da Bahia. Diversas expedições militares foram enviadas, sem resultado, para combater os fanáticos. Somente no quadriênio seguinte é que uma divisão composta de mais de 6 000 soldados, sob o comando do general Setembrino de Carvalho, conseguiria dispersar, matando ou expulsando, os seguidores de João Maria. A área era cobiçada por empresas estrangeiras, devido à riqueza em madeira e em erva-mate.

Economia e Política - O desenvolvimento econômico do país sofreu seriamente os efeitos da instabilidade política. Retraíram-se os capitais europeus. O Norte sofreria, impotente, a concorrência da borracha asiática, encerrando-se a efêmera fase do progresso que vivera a Amazônia. Com suas receitas diminuídas, sem exportações, viu-se o governo na contingência de negociar um novo "funding loan", empréstimo que comprometeria ainda mais as abaladas possibilidades financeiras do país.

Uma reforma de ensino assinala a atuação de Rivadávia Correia na Pasta do Interior e Justiça que abrangia também os assuntos da intrução pública. Deu-se a mais ampla liberdade e autonomia às escolas superiores, que se multiplicaram então desordenadamente, agravando-se o problema de profissionais incompetentes.

Durante todo seu governo contou Hermes da Fonseca com o apoio de Pinheiro Machado. Em troca, dera-lhe tal prestígio, que o velho político gaúcho, líder no Senado, transformara-se, apesar da rebeldia de algumas salvações, no "supremo coronel" de todo todos os coronéis políticos do país.

Pacto de Ouro Fino - Os paulistas e os mineiros, que se haviam confrontado na eleição presidencial anterior, pactuam um novo acordo, superando a primeira crise da política do Café-com-Leite.

Ao terminar o quadriênio presidencial de Hermes da Fonseca rebentara a 1a Guerra Mundial (1914-1918). O mundo iria atravessar dias difíceis. O Brasil também.

Voltar