Apesar de ser "cria" do Estado Novo, Juscelino não estava sintonizado de forma alguma com os ideais totalitários. Ao contrário: liberal por formação, democrata por convicção e político por outros motivos, Nonô sempre teve um desempenho administrativo renovador e dinâmico. Quando ainda era candidato, prometeu que, em seu mandato, o país teria um desenvolvimento só comparável ao de meio século (crescer 50 anos em 5).
Plano de Metas - Foi a chamada política desenvolvimentista, o Plano de Metas (energia, transporte, alimentação, indústria de base, educação e construção de Brasília), tendo o Estado como coordenador dessa tarefa. Os recursos para tal empreendimento foram trazidos na maior parte do exterior, o que nos alinhou de novo com os norte-americanos - e fez crescer escandalosamente a dívida externa -, e num menor grau do interior, com a emissão de papel-moeda, medida inflacionária.
Durante o governo Juscelinista, recrudesceram-se as disparidades regionais, destacando-se o Nordeste como a região mais pobre do país. A preocupação com essas áreas agravaram-se após nova seca, donde o surgimento da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, 1959).
Desenvolvimento - Novos investimentos públicos são realizados visando a ocupar a mão-de-obra flutuante (construção de estradas, barragens, novas siderúrgicas). O capital estrangeiro obsoleto é atraído sob a forma de indústria automobilística. Essa resolveria vários problemas: a superprodução petrolífera daqueles anos; a transferência de maquinaria obsoleta americana para o Brasil; e a expansão das economias alemã e francesa do pós-guerra. Assim, surgem as fábricas Willis-Overland (americana), a Volkswagen (alemã) e Simca-Chambord (francesa), além de outras. Forma-se uma elite dirigente convencida da necessidade do capital estrangeiro como dinamizador de nosso desenvolvimento industrial. Para essa elite, o nosso subdesenvolvimento ligava-se ao antigo modelo agroexportador; bastava, portanto, industrializar o país e nosso atraso seria superado. Para completar o "desenvolvimento", Juscelino fez construir uma nova capital, Brasília, síntese do seu programa desenvolvimentista. No planalto central, entre índios e onças, surge o centro administrativo daquilo que seria o futuro Brasil.
Os efeitos desta política não tardaram a ser sentidos.
Custos Sociais - O modelo econômico juscelinista só beneficiava a burguesia e a classe média alta, capaz de comprar os bens de consumo produzidos pelas novas empresas. A inflação, decorrente das constantes emissões de papel-moeda, desvalorizava o dinheiro e os salários, aumentando o custo de vida. O nordestino emigrava para o centro-sul, em busca de melhores oportunidades, agravando a penúria nas periferias dos centros urbanos. A dependência avolumada do capital externo criava enorme déficit no balanço de pagamentos. Os credores internacionais chegaram a temer a insolvência do Brasil. A dívida externa galopante obrigava o governo a pedir empréstimos ao FMI, até que nos foi negado um pedido. Em troca, Juscelino rompeu com o Fundo Monetário.
Nonô não se preocupou: transferiu a solução dos problemas por ele criados para o seu sucessor. A oposição começava a ganhar corpo e forma. À UDN, esperançosa de uma vitória (finalmente), restava encontrar o homem certo. Realizada a eleição venceu Jânio Quadros, candidato udenista, contra o candidato do PTB Mal. Lott.