Após a implantação do Estado Novo, ou seja, um segundo golpe de Estado, Getúlio Vargas continuou na presidência, desta vez ditatorialmente. O período do Estado Novo foi, a um só tempo, de grande avanço nas políticas sociais e econômicas, sobretudo devido à implantação de uma ampla legislação trabalhista - para os trabalhadores urbanos - e de apoio à industrialização, e de expressivo retrocesso em termos de liberdade política, como a extinção dos partidos políticos, a censura e a repressão.
Para centralizar o controle da burocracia oficial, Getúlio Vargas criou, em 1938, o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). Este foi responsável pela profissionalização da carreira de servidor público, constituindo grande avanço para o país. Os cargos passaram a ser escolhidos de acordo com critérios técnicos, e não por indicações políticas. Em 1939, criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), com a tarefa de divulgar as ações do governo - sobretudo na Hora do Brasil - e controlar ideologicamente os meios de comunicação. Esse foi principal sustentáculo do regime, responsável pela censura e pela propaganda governamental.
Sindicatos - Para controlar e fiscalizar o sindicalismo operário, foram ampliados os serviços estatais de aposentadoria, criados em 1940, o imposto sindical e o salário mínimo, e posta em vigor a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943. Ao lado dessa política de concessões aos trabalhadores - auxílio-natalidade, salário-família, licença para gestante, estabilidade no emprego (após 10 anos), descanso semanal remunerado - extinguiu-se o direito de greve e a independência dos sindicatos, os quais passaram a ser dirigidos por "pelegos", falsos líderes sindicais ancorados no governo.
Economia - No campo econômico, Getúlio Vargas avançou no controle estatal das atividades ligadas ao petróleo e a combustíveis por meio da criação do Conselho Nacional do Petróleo, em 1938. Estimulou a indústria de base com a fundação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, em 1941, e obteve financiamento norte-americano para instalação da Fábrica Nacional de Motores, no Rio de Janeiro, em 1943. Inaugurou, também, a Companhia do Vale do Rio Doce, com o fito de explorar minérios. A fim de contribuir com a formação de mão-de-obra especializada para o setor industrial, instalou o Serviço Nacional da Indústria (Senai), em 1942, e o Serviço Social da Indústria (Sesi), em 1943.
Convém assinalar a diminuição da influência inglesa na economia nacional durante o período varguista, sendo essa substituída pela presença crescente do capital norte-americano. Houve significativo crescimento no número de indústrias nacionais durante o período da II Guerra Mundial, favorecidas pelas dificuldades de exportar bens maquinofaturados. Fenômeno semelhante já havia sido observado durante a I Grande Guerra, mas dessa vez foi mais expressivo.
Cumpre lembrar, ainda acerca da economia nacional, a substituição dos velhos mil-réis pelo Cruzeiro, fato ocorrido em 1942.
Por fim, convém esclarecer, que os direitos trabalhistas de que muito se vangloriam os varguistas ficaram restritos aos trabalhadores urbanos. A estrutura fundiária brasileira, causa de boa parte de nossas problemas ainda hoje, permaneceu inalterada durante todo o governo Vargas. Ele limitou-se a transferir capitais para as indústrias, mantendo a exploração secular dos trabalhadores rurais.
II Guerra Mundial- A participação do Brasil no esforço de guerra dos Aliados deveu-se principalmente à pressão norte-americana, embora Getúlio tivesse certa simpatia pelos governos fascistas. O governo varguista negociou a entrada brasileira na Guerra em troca de financiamento para seus projetos econômicos. Em 1942, o Brasil rompeu relações e declarou guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Em 1944, FEB (Força Expedicionária Brasileira) foi enviada, participando efetivamente da II Guerra Mundial.
Ao término da Guerra, tornou-se insustentável a realidade brasileira: externamente luta pela democracia; internamente mantém uma ditadura fascista. Getúlio foi obrigado, pois, a redemocratizar o país. A incipiente oposição foi surpreendida pela antecipação de Vargas nessa direção. Seus primeiros atos foram a convocação de eleições, decretação de anistia a presos políticos e liberdade partidária e de imprensa. Surgiram 16 novos partidos, dos quais se destacavam a UDN (a oligarquia antigetulista e americanizada), o PSD (grandes proprietários rurais e burguesia urbana que apoiava Vargas), o PTB (representava o populismo varguista, baseado no paternalismo sindical) e o PCB (fundado em 1922, mas posteriormente cassado).
Vargas, porém, alimenta o desejo de continuar no governo. Decreto populista como a "lei Malaia", antiimperialista e nacionalista foi promulgado.Criou, ainda, o MUT (Movimento de Unificação dos Trabalhadores) para apoiá-lo. Surgiu o "Queremismo", movimento defensor da convocação de uma constituinte com Vargas. Surpreendentemente esse movimento foi apoiado até pelos comunistas.
As oposições, desconfiadas das intenções getulistas, movimentaram-se juntamente à cúpula militar e articulam o golpe de 29 de outubro de 1945. Os ministros militares destituíram Getúlio Vargas e passaram o governo ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, até a eleição e posse do novo Presidente da República, o general Dutra, em janeiro de 1946.