Não foi difícil para Getúlio convencer o eleitorado de que ele era a solução. Setores dissidentes (maioria) do PSD e todo o PTB apoiaram a candidatura do "pai dos pobres", como era conhecido Getúlio, que derrotou Eduardo Gomes (UDN) e Cristiano Machado (candidato oficial do PSD, sem apoio do próprio partido, além de não ter a mínima expressão política). Contudo, para o legislativo, o PSD foi novamente o grande vencedor.
As marca do governo Vargas são, irrefutavelmente, o populismo e o nacionalismo. Getúlio tentou conciliar o inconciliável:
Ao mesmo tempo, desenvolveu uma política nacionalista, o que fez o Presidente norte-americano cancelar certos empréstimos prometidos anteriormente. Apesar disso, Vargas realizou a expansão da Siderúrgica Nacional, a criação da hidrelétrica de Paulo Afonso, a fundação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, a Eletrobrás entre outras coisas.
Os trabalhadores eram manejados a fim de acreditarem que o desenvolvimento os beneficiaria diretamente, o que apavorava os setores mais tradicionais. Além disso, a tolerância do governo para com os partidos de esquerda inquietava os militares, alinhados com os norte-americanos e receosos do "perigo vermelho": uma nova fobia iria de agora em diante justificar quaisquer golpes... A reorganização dos sindicatos pelo Ministro do Trabalho, João Goulart, à sombra do peronismo argentino, tornou intolerável aos setores mais à direita qualquer apoio ao Presidente.
Plano Lafer - O ponto central do governo, no entanto, foi o Plano Lafer - do ministro Horácio Lafer -, que priorizava os seguintes setores: energia, transporte e indústria de base.
Em 1953, surge a Petrobrás, frustrando as multinacionais do petróleo em explorar o combustível fóssil do nosso solo e não obstante as crescentes pressões do governo norte-americano. Neste mesmo ano, o ritmo da industrialização nacional entrou num impasse: para crescer precisava de recursos, internos e externos. Internos, com a expansão do crédito, financiamento, arrocho salarial e, infelizmente, inflação. Externamente, com a facilitação das importações, redução das taxas de câmbio e aproximação dos EE.UU. Se por um lado isso beneficiava a burguesia industrial e a agricultura agroexportadora (a minoria dominante), por outro prejudicava sobremodo a classe média, as massas operárias e o povo em geral (a maioria iludida). Dessa maneira, os trabalhadores, desrespeitando o pacto de aliança com o governo, entraram em greve geral durante 29 dias. Trezentos mil operários paulistas exigiam aumento salarial. O temor da classe dominante era que Vargas perdesse o controle do movimento sindical.
Outros atritos surgiram com o governo dos EE.UU. O principal deles decorreu da renúncia brasileira em enviar tropas para a Guerra da Coréia, foco da Guerra Fria. Em represália, os norte-americanos cancelaram empréstimos e provocaram a queda do preço do café. Naturalmente, a elite econômica nacional pendeu para o lado dos americanos.
Trabalhismo e Populismo - Em 1954, Goulart propôs o aumento do salário mínimo em 100%, o que escandalizou a burguesia industrial. O governo recuou diante das pressões e a oposição passou a explorar até mesmo a vida íntima e familiar do Presidente. Nessa campanha, eivada de imoralidade, destaca-se o jornalista udenista Carlos Lacerda.
Os trabalhadores se agitavam e Getúlio teve medo de perdê-los: por isso, em maio aprovou o aumento salarial de 100%, perdendo, assim, o apoio da burguesia, dos proprietários e dos militares, além dos conservadores de todas as classes. Os trabalhadores, sós, sem organização própria, seriam incapazes de lutar para manter Getúlio.
Um indivíduo da guarda pessoal do Presidente tentou matar Lacerda - o atentado da Rua dos Toneleiros -, o que agitou as Forças Armadas, as quais passaram a exigir a renúncia do "pai dos pobres" (agosto de 1954). A resposta de Getúlio foi o suicídio (24 de agosto), deixando uma carta-testamento na qual denunciava a oposição imoral que sofreu por conta de suas idéias nacionalistas. Vargas queria o impossível: beneficiar o povo e as classes dominantes ao mesmo tempo dentro de um capitalismo nacionalista, mas sem recursos próprios, nem interesse em se desligar da dependência.