Comunidade do Caranguejo

Abril, Maio, Junho e Julho / 2007
(AMIN)

Vamos relatar um pouco sobre as atividades realizadas pelos AMIN da comunidade de Caranguejo durante os meses de abril, maio, junho e julho de 2007.

Como havíamos descrito em nosso relato anterior, estávamos participando das oficinas realizadas pelas estudantes do curso de Terapia Ocupacional da UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco). Aprendemos e retomamos algumas temáticas, como por exemplo, Reciclagem, Cultura de Paz, Namorar e Ficar, Planejamento familiar, etc. de maneira divertida, diferente e interessante, até mesmo porque as estudantes tinham a faixa etária bem próxima à nossa, o que facilitou o entrosamento e a comunicação durante as oficinas.Com tudo isso, trocamos experiências bem legais, pois ao mesmo tempo em que aprendemos também estávamos ensinando.

Outro ponto de destaque foi a Gincana que a educadora do Grupo AdoleScER, Patrícia Travassos, organizou com os AMIN com o objetivo de observar a qualidade e o nível das informações estudadas. Para isso, a educadora trouxe um jogo com atividades sobre os conteúdos HIV/AIDS e DST’S, que precisávamos responder às perguntas solicitadas. Esta gincana nos proporcionou uma revisão das temáticas trabalhadas e percebemos que precisávamos aprofundar os conteúdos, pois tivemos dificuldades para responder algumas questões. Foi necessário estudarmos mais uma vez os conteúdos para realizarmos uma prova (avaliação) e chegamos à conclusão de que houve uma melhora. Porém, ainda havia a necessidade de estudarmos um pouco mais, diante da avaliação da própria educadora que destacou que explicávamos melhor na linguagem oral que na escrita.

Tivemos também a participação dos monitores da comunidade de Roda de Fogo que “refrescaram” a nossa memória com os repasses sobre os seguintes temas: Cultura de Paz e HIV/AIDS, realizados na nossa própria sede, em Caranguejo. Foi uma experiência que nos encorajou para realizarmos nossos próprios repasses, pois eles passaram pela mesma formação (AMIN) que hoje estamos passando. Foram momentos adequados, interessantes e produtivos porque pudemos observar os conteúdos teóricos na prática.

Além das atividades realizadas, também organizamos uma festa em comemoração das aniversariantes do mês de maio (Joana e Karina). Foi um momento de confraternização e que pudemos nos divertir com o nosso grupo.

Outra festa que o nosso grupo também organizou junto com os monitores foi a de São João para as crianças do Aprender Brincando (os dois grupos que funcionam à tarde). Alguns AMIN participaram desta festa e destacaram que foi muito bom porque algumas dessas crianças que participavam de uma quadrilha na própria comunidade puderam dançar para o Grupo AdoleScER. Depois da apresentação houve a distribuição de comidas típicas.

Também passamos por um momento no qual ficamos famosos por um dia! A equipe da emissora TV Clube esteve em nossa comunidade para divulgar o trabalho do Grupo AdoleScER. Foi bem legal porque foi a nossa primeira apresentação para uma emissora local. Nós dançamos (Xaxado e Danças Circulares), apresentamos cartazes (HIV/AIDS) e fomos entrevistados. Foi bem interessante, pois apresentaram como é a rotina de um AMIN.

Durante as férias, realizamos uma reunião com os educadores do Grupo AdoleScER e com os AMIN e monitores de Caranguejo para escolhermos algumas temáticas para serem trabalhadas durante as Oficinas de férias. Assim, tivemos atividade de Vídeo, Dança Popular, Danças Circulares, Contos de Fadas e as Rodas de Conversa (HIV/AIDS, DST’S e DROGAS). Nesta última, o nosso grupo de AMIN foi organizado em três quartetos de acordo com as temáticas e cada um realizou duas Rodas de Conversa. Os encontros foram divididos nos seguintes temas: Drogas, DST’S e HIV/AIDS.

Achamos que foi uma experiência nova e divertida, pois no início tivemos dificuldade porque estávamos diante de pessoas que mesmo sendo da comunidade não faziam parte do nosso grupo de AMIN. Também ficamos nervosos, mas com a participação de alguns convidados, conseguimos realizar as Rodas de Conversa com espontaneidade e tranqüilidade durante os encontros seguintes.

Tivemos também a Oficina de Contos de Fadas com o educador Gilliard, na qual destacamos que relembramos nossa infância e reforçamos a relação dos contos com a nossa própria vida (lição de moral).

As oficinas de dança foram realizadas por nós, AMIN, que nos organizamos e planejamos atividades tanto para o nosso grupo de AMIN quanto para as crianças do Aprender Brincando. Estas oficinas foram bem divertidas e a recompensa foi perceber que os participantes tentavam tirar dúvidas e trocar informações durante toda a atividade.

Na Oficina de Vídeo, assistimos ao filme “KIRIKU”, no qual destacamos que aprendemos nos divertindo, pois passamos a valorizar ainda mais a opinião dos outros e a amar o interior de cada um.

Para saber mais informações sobre o nosso grupo acompanhe e/ou visite a nossa comunidade, Caranguejo.


Janeiro, Fevereiro e Março / 2007
(por Marcelo José, Irineide Maria, Kátia Cristina, Karla Valéria e Daniela Alves)

Oi! Sejam bem-vindos! Esperamos que gostem e se divirtam sabendo mais coisas sobre as atividades feitas por nós, AMIN de Caranguejo, durante o primeiro trimestre de 2007.

Aprender Brincando
Em setembro de 2007 foi fundado o grupo Aprender Brincando. Este grupo foi formado para dar oportunidade aos meninos e as meninas mais jovens, com a faixa etária de 7 a 13 anos. O grupo foi dividido pela quantidade de alunos, o 1º com 20 crianças com atividades nas segundas e quartas-feiras, o 1º com 25 crianças, se encontram nas quintas e sextas-feiras. Os dois grupos realizam atividades educativas para que não fiquem nas ruas e não se envolvam no mundo das drogas. São crianças interessadas e têm tudo para dar certo.

Chegada dos AMINs de São Lourenço
Em fevereiro, recebemos a notícia que os AMIN de São Lourenço (Clevson, Rafaela, Silbert e Wilson) iriam completar a formação em nossa comunidade, Caranguejo. Tomamos um susto, mas recebemos o grupo muito bem e está tudo certo.
Logo que chegaram estavam bem “tímidos” com o novo ambiente, mas agora estão se dando bem à vontade com todos os AMIN de Caranguejo e até parece que estão em casa. E mesmo com as dificuldades de locomoção, distância e horário que eles têm são bem interessados. Pudemos até mesmo passear com eles pela comunidade para que pudessem conhecer mais um pouco da comunidade.

Oficinas de férias
Durante as oficinas de férias tivemos diversas atividades e algumas com a participação dos monitores de Roda de Fogo. Fizemos confecção de máscaras, dança e revisão de alguns temas para formação. Foi bom porque todos participaram. Fomos para o campo, para ter uma atividade fora da sede com os monitores Karla e Marcelo para jogar bola, queimado, pega-pega e outras atividades. Foi ótimo! Foi um dia muito especial. Foi um dia bem legal, um dia de lazer. À tarde alguns AMIN participaram das oficinas com o grupo Aprender Brincando, com pinturas, danças e confecção de máscaras. As crianças com respeito e os AMIN com paciência se entrosaram durante as atividades e aprendemos brincando.

Passeatas
Foi muito “massa” participar da caminhada sobre “Violência contra adolescente” no Recife. Nos divertimos muito, dançamos, conhecemos outro Grupo do AdoleScER (Santa Luzia) e também de outros grupos. Tiramos várias dúvida e também conhecemos outros grupos. Fomos também em nossa comunidade para tirarmos várias fotos.
Fomos também em nossa comunidade praticar nossa cidadania buscando o direito das mulheres, conhecer a Lei Maria da Penha e informar a comunidade que esta lei está em prática. entregamos rosas confeccionadas com cartolina e papel crepom e folhetos com mais algumas informações. Muita gente seguiu nosso exemplo e participou da caminhada pela comunidade. Sentimos uma energia de mudança, todos brincando, pulando e ao mesmo tempo trabalhando para um mundo melhor e sem violência.

Bloco de Carnaval
Os monitores da nossa comunidade tiveram uma idéia com o grupo Aprender Brincando de montar um bloco de Carnaval. No começo a gente achou que era uma idéia boba, que não teríamos resultado e que seria um “mico”. Mas quando vimos todas as pessoas que estavam participando brincando, pulando carnaval e se divertindo, achamos que esta idéia valeu a pena e para o ano que vem esperamos que seja ainda mais organizado e atraia mais gente. Demos uma volta por toda a comunidade, a alegria foi tanta que alegramos a comunidade e terminamos no salão do AdoleScER (sede de Caranguejo).Quando as pessoas observavam o bloco passar se encantavam e também acompanhavam com muita alegria.

Atividades desenvolvidas com as estudantes da UNICAP-Terapia Ocupacional -1 -
Ainda neste início de ano, participamos de uma palestra realizada pelos estudantes de Terapia Ocupacional da UNICAP e com a médica do Posto de Saúde da comunidade. Foi muito importante saber como se pega e como se prevenir contra a tuberculose e saber também que tem esta tem cura. Foi um encontro bem divertido porque souberam explicar bem, com dinâmicas e todos participaram.

Atividades desenvolvidas com as estudantes da UNICAP-Terapia Ocupacional - 2 -
No momento, estamos achando interessante o trabalho com as estudantes da UNICAP, mas como estamos no começo das atividades ainda não temos muito o que falar, mas foi muito bom termos a chance escolher os temas a serem trabalhados. Depois de alguns encontros, achamos que o trabalho está sendo bem divertido e também descontraído.

Depoimento de Karla Valéria sobre o Grupo Aprender Brincando
Está sendo uma experiência muito boa com o grupo da tarde, pois com eles aprendemos a ter paciência, humor, alegria e o melhor: resgatar a nossa infância que não foi bem vivida.

As atividades realizadas nos mostram um outro lado dos meninos, porque apesar de brincarem muito, na hora de se perceber, de olhar para dentro de si, eles mostram um comportamento que nem parece o daqueles meninos duros que brincam para esquecer as dores. Ficam tão sensíveis, que às vezes até choram.

Tive uma experiência muito boa com um menino levado chamado Daniel. Ele brinca muito, mas quando falamos da meditação e explicamos sua importância, ele prestou atenção e, na hora de praticar, o resultado foi melhor ainda. Ele fez melhor que todos e diferente dos outros, que se mexiam e reclamavam. Ele fez tudo direito e, no final, depois que todos falavam como foi difícil, disse que a perna tinha doído, as costas também, mas que tinha conseguido se concentrar e controlar o corpo, e que também, apesar da dificuldade, tentou controlar a mente e não pensar em nada. Esse depoimento me deixou muito, muito feliz, pois não pensei que iria transformá-lo tanto, pelo menos um dia. Aprendi a conhecer as pessoas não só por fora e, com isso, fiquei muito feliz.


Outubro / 2006
(por Marcelo José, Irineide Maria, Kátia Cristina, Karla Valéria e Daniela Alves)

Passamos muitas dificuldades quando não tínhamos uma sede fixa. Isso nos desestimulava e nos levou a alguns conflitos com outros grupos da comunidade e entre nós mesmos. Chegamos até a refletir o que realmente queríamos. Descobrimos que tínhamos que lutar para podermos alcançar o nosso verdadeiro objetivo, que era conseguir um espaço próprio e formar um grupo de AMIN (Adolescentes Multiplicadores de Informações) e poder repassar o que aprendemos para adolescentes da nossa comunidade e comunidades vizinhas. Está sendo muito gratificante para todos nós ver nosso trabalho se expandindo e encontrando vários caminhos.

Trabalhamos com um novo grupo fixo em nossa sede da Comunidade do Caranguejo e repassamos nas escolas o que aprendemos, dando palestras com alguns temas de grande necessidade para os adolescentes, como Prevenção ao Uso das Drogas, Cultura de Paz, Gravidez na Adolescência e Métodos Contraceptivos. Ainda enfrentamos algumas dificuldades. Por sermos adolescentes, muitas vezes nosso trabalho não era valorizado, pois os professores tinham uma visão de que os adolescentes não eram capazes de repassar informações para outros da mesma faixa etária. Mas conseguimos acabar com esse preconceito e agora somos bastante requisitados. Nosso trabalho vem recebendo seu devido valor. Hoje é nítido que valorizamos a oportunidade que tivemos, pois existem muitos adolescentes que não têm essa oportunidade ou não valorizam quando ela surge.


Ilustração:
  Erickson Marinho
  (Comunidade
de Santo Amaro)

Abril / Maio / Junho
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Outubro / 2006